quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Já Nada M'Espanta

Mas bá... Inda nem tudo é mau... Há inda puri cousas que têm sou balor e que ninguêm nas reconhece... Por isso endái atentos... E lembrái-bos q'há cousas que são tão fêas, tão fêas... que de serim tão fêas bonitas se tornam... E a bere se me boto uma Abé Maria hoje que lebo pressa...
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Rubrica "Agora T'Entendo"
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Obelhas Negras
E de facto num há que bere... e até se percebe êsta bontade de biber ên grupos...mas a cebelização moderna, cobrou êsta estória toda...E se queréis que bos-i-o diga... É deficil conbiber... E quando buscas uã boa companha berás que é ên ti que encontras tode esse conforto e bên estar que procuras... Quên milhor que nós pra nos agradar? Nunca falhamos... acertamos sempre nos nossos gostes... Mesmo que num saibamos quais são....
Samos únicos em tode o nosso ser. Somos capazes de fazer baler a nossa rezão sobre nossos instintos naturais. Trazemos essências únicas na maneira de biber, de arresponder às zezigências, de enfrentar os momentos dificeis... (principalmente quando nos fódim a àuga das regas)... e tamên de assinilar os acontecimentos ocorridos contra nossa bontade....
Diante de tamanha particularidade, entendo que dentro d'uã arrelação – juntamente c'os demais integrantes, cujos comportamentos são tamên diferentes e únicos – podemos enfrentar muntos desafios. Obiamente q'um... ele só... terá problemas de conbibência... mas será por certo preferíbel que biber dentro de um grupo social onde são constantes as dizputas por autopromoções... (e beréis que é berdade, nem que seja só um a ir a concurse)... por se destacar dos demais, o sentimento de cancorrência, o ciúme... Cousas que bá...
Quando nos propomos a conbiber c'os outres, quer seja na faira, quer seja na classe ou na comunidade onde endamos, fazemos-i-o por nossa bontade porque bemos néis características que nos conbencem a desejar o engajamento, a rezpeitar princípios praticados pra alcançarmos a harmonia do arrelacionamento de modo a atingir um objetibo comum... MAS É TUDO FALSEDO...
Na aprendizage sábia do q'é o conbibêr... E olhai que num estou a falar em ir botar um copo e cousa e tal... beréis que o q'existe são só desentendimentos. E, infelizemente, muitas vezes, dêstas rupturas nácim os “grupinhos” que lebam como hábito a crítica, nunca construtiva, contra os outres... E é por causa dêstas caralhas que nos sentimos OBELHAS NEGRAS...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
A Bere Se Nos Entendemos…
Infelizemente, a diferença tên dado orige a sérias desabenças entre a gente, irmãos por parte de Dous, mas que s’enguerreiam cuma facelidade qu’é uma cousa louca… Uns sentem-se assi… espéce de reis… só porque enderam no liçou… Ensinéram-les três dedos de conbersa barata, outro tanto de inergumenice aplicada e já é o suficiente pra botarem labregadas só como les dá na gana a eis…
Do outro lado estamos nós! Num será , por certo, necessário explicar-bos uma beze mais quim samos… mas como até gosto… Gente séria, limpa, bem posta, bem parecida, zezigente e acima de tudo direta… Há quim nos tchame parôlos… Sinto que quim nos tchama tal cousa queira dizere co isso que samos PRAGMÁTICOS…
É berdade! Samos! Comparados co esses qu’enderam no liçou… num há que bere… Essa gente... qualquera problema que tên, ou bão ó tribunal ou às urgências (qu’entopem aquela merda toda com nada bá… que são cousas que não são nada), ou isto ou aqueloutro….Uiii Jasus… Gente enrredadeira que digobos-i-o-Ou… Só parangonhices…
Nós resolbemos tudo munto fácil, de forma expedita e sên ocupar ninguên… Num gostamos de incomodar… Nunca gostémos!!! Como fazemos? É assi…
Aqui, por exemplo… imaginai… há dous irmãos que tên o azar de les morrer o pai. Tal e cousa e faiem as partilhas e cousa e tal… E nas sortes claro... há um que fica cuma leira, outro com outra, pegadas e a separação é feita atrabéze dos marcos… Um dia um deis lembra-se de mudar um dos marcos só pr’ápanhar mais um sulco de batatas… Claro que nota-se logo!!! E se fossem os do liçou era logo pró tribunal… Aqui que se fai? Pensáis que guerriamos nas palabras ou qu'andamos a meter gente absôrta à conbersa?! Nada disso!!! É logo cuma satcha pelas carrancas abaixo… Ah caralha… A mesma lei se aplica prós roubos dos fardos, desbio d’ àuga das regas, intemidades com mulheres absôrtas... A sanção, essa pode bariar entre uma satchada ou duas, uma espalhadourada, um zagalote nos chanfros… Originalidade no nos falta graças a Dous…
Doenças?! Pensáis qu’imos intupir as urgências?! Nada disso… Bamos falar co seminarista que pratica cá no poboado ós domingos que nos aconselha e fazemos boas promessas ós santos… Se resulta?! Bou-bos contar uma estória… berídica… Tio Zé da Tasca tamém assistiu a êsta… Foi o seguinte… o Tio Zé Riteiro tinha na mulher muito doente… uma malesia que coiso… Pous ele foi andó seminarista e feze uã promessa que se a mulhere sanésse habia de comprar uma image bên linda pra pôre aqui na capela… Uã santa que num habia d’habere poboado com santa igual… ó fim de dous dias tinha na mulher boa… Hóme de palabra, assi no prometou assi no cumpriu… Fácil num foi e bárias queixas me fezo de bezes qu’ia à feira na bila e que num arranjaba uma santa pra cumprir a promessa… Co’isto passéram…Prai quê? Três meses… já nem Ou me lembraba da façanha, bate-me o Tio Zé Riteiro à porta : “Tio Cabadore!! Arranjei na Santa… Benhá bere antes qui a mostre ó pobo… co senhore é que sabe dessas cousas da beleza!!! Bere si àproba!!!” Ou… claro estaba bendo a nobela… Aquêla … Chocolates com Malagueta… sabeis?! Onde aquela andabá co outro… a puta dos cães… Sabéis?! Bá mas tamém num intressa… Ou agarrei, e fui ên tchanclas e tudo… Tchiguei à capela que bi Ou? Bi esta cousa…

Disse-lo Ou: “Donde arranjou essa Santa?” e dize-me ele: “Ah... fui cos mous filhos lá pra ande a casa deis n’América e um dia fui co eis às compras lá a uã merciaria grande… ui jasus… E bi lá esta image bên linda… E comprei-na claro!!!”
Ou fiquei desconfiado inda por cima parecia que tinha barbas e carapuz…combinação que ninhuma santa tên e bá… fiquei naquêla… e perguntei-le:”Tên na certeza qu’isso qu’é uã santa?” Ele tornou-me que sim senhora, uma santa com nome e tudo. Lá na terra dêla tchamabam-lhe a Santa Clausa…
Bên eu rezão pra dubidar no na tinha por isso acreditei no hóme… E de facto a image era bên linda… uã nossa senhora bem parecida… nuã túnica bermelhinha, bên lustrosa, reluzente… si senhora… gostába bên dêla… E cmo estábamos numa de espétáculo disse-mo ele: “E se puséramos umas bélinhas ò redor dêla prá amostrarmos ò pobo?! Qu’atcha Tio Cabadore?!” Ou tornei-le que num seria pecijo, que lustrosa era êla… mas bá s'éra pra impressionar era para impressionar à séria e lá poze o hóme uã dúzia de bélas ò redor da Santa…
Fomos tchamar o pobo todo!! Porta a porta corremos o poboado todo que biessem bere aquele espétáculo… Assomou-se gente até ó carálhitcho… E lá fomos todos até à capela de nobo… Quando lá tchiguémos… abri-mos a porta… tudo a empurrare…
Abre-se a porta…
E Santa?! Num habia Santa pra lado ninhum… No pousio onde êla estaba só se encontraba uma gozma castanha em cima da fatiota bermelhinha… Diz o Tio Zé Riteiro: “ Ai a caralha!!! Deu-le a soltura e foi-se embora!!!” Bede a qualidade da Santa que tebe a argúcia de despir a túnica com jeito pra botar a cóca e num sujar o pousio… E lá terá ido ên polainas por esse mundo fora… Até hoje num apareceu… Mas todo o pobo ficou com respeito por tal Santa… Uã Santa tamém ela pragmática…De maneiras que amigos… Pragmáticos?! Nós já o samos… Bós?! Escolhei a bossa fação… Ou cá fico-me pelo Poboado… Um bên haja perante bossas rompâncias…